segunda-feira, janeiro 09, 2006

as legiões romanas passariam e passariam

"Eu estava falando com uma família iraquiana, e a estrada (onde estávamos) começou a vibrar, e podíamos ver uma gigantesca divisão de infantaria estadunidense passando por nós. Helicópteros Apache pairavam, e tanques M1A1 Abrams, veículos blindados, caminhões cheios de concreto e milhares e milhares de tropas, todas camufladas, rifles apontando feito porcos-espinhos. Sentei ao lado da estrada com essa família, tentando entender o que aquilo tudo significava. Quatro horas e meia, cinco horas depois, e o comboio ainda estava passando.

E amanheceu em mim a idéia de que, há 2000 anos, um pouco mais ao Oeste, eu estaria sentado ao lado da estrada vendo uma legião romana passar, sentindo a vibração dos pés dos centuriões. E percebi que se você é a única superpotência, como os EUA, você tem que projetar seu poder."

Robert Fisk fala isso -- e mais -- em entrevista pra Adbusters.

A íntegra, aqui

segunda-feira, dezembro 19, 2005

jingle bells riot

Eu acredito no bom velhinho.

"Uma gangue de Papais Noéis bêbados levou o caos a Auckland, Nova Zelândia, atirando garrafas, roubando lojas e atacando guardas em protesto contra a comercialização do Natal.

...

Segundo Alex Dyer, porta voz do grupo Santanarchy (Santanarquia, em português), o movimento teve início em San Francisco, em 1994. Desde então, já tocaram a baderna por EUA, Tóquio, Helsinque e Antartida".

Do Guardian.

domingo, dezembro 18, 2005

aspirina e zyklon b

Certo, bater em companhias farmacêuticas é um grande clichê. Mas elas também não ajudam.

Em outubro, o PNUMA (Programa da ONU para o Meio Ambiente) bancou um encontro de jovens em Bangalore, na India. A idéia era juntar gente de 15 a 25 anos, jovens lideranças empenhadas no debate de problemas e perspectivas sobre o futuro da Mãe Terra, essas coisas.

Esse tipo de evento custa dinheiro. MUITO dinheiro.

E sabe quem tem um monte de dinheiro? A Bayer.

Então a Bayer ofereceu-se à ONU como financiadora do encontro de Bangalore. E a ONU aceitou.

Tudo bem, a Bayer é a mãe da aspirina – e eu sou bastante grato aos alemães por isso, sim senhor. Mas, apesar de seus esforços pelo fim da ressaca, a farmacêutica tem uns grandes e feios esqueletos no armário. E isso vem de um longo, longo tempo.

No Terceiro Reich, usaram prisioneiros de campos de concentração em suas fábricas e produziram Zyklon B (gás usado no genocídio nazista).

Logo após o Terceiro Reich, tiveram executivos condenados no tribunal de Haia por crimes de guerra.

Um tanto após o Terceiro Reich, a mesma vocação: boicote ao protocolo de Quioto, uso de jovens desempregados como cobaias humanas, produção de boa parte dos venenos disponíveis no mercado. Inseticidas, plasticidas, fosfogênios, bisfenol – você dá o nome, eles fazem.

Além disso, têm em sua carteira de produtos não poucos medicamentos retirados do mercado por completamente inúteis ou nocivos à saúde.

E a lista continua, e continua.

Que raios, então, faz a Bayer patrocinando o PNUMA?

Greenwash* é o que a Bayer faz. E greenwash é o que o PNUMA, de pires na mão, parece não ver muito problema em oferecer.

A experiência lembra que conglomerados econômicos pouco se importam com deliberações de organismos multilaterais e orientações provenientes de pesquisas científicas -- mesmo quando feitos com seu dinheiro. O importante, no caso, é vender uma imagem bacana ao público. Qualquer coisa que esconda as calamidades ambientais/econômico/sociais amontoadas em seu rastro.

Lembre-se disso quando tomar aquela aspirina amiga.

...

*Greenwash: o que grandes corporações fazem para limpar a barra depois de malfeitorias ambientais. Se você parecer bonzinho o suficiente, as pessoas podem simplesmente não acreditar nas atrocidades em que se mete.

it's ALIVE!

Batendo a poeira aqui e ali. Logo, logo, voltamos com subversões novinhas em folha.

quarta-feira, junho 22, 2005

vê se não gasta tudo em cachaça

Perto de 60% de todo o dinheiro dado pelos países ricos à parte pobre do planeta é de mentirinha. Sério.

A equação do Demo é mais ou menos explicada aqui.

quarta-feira, junho 15, 2005

mr. Gates alisa seu gato angorá

O lado B da recente história americana reza que, pelos idos de 1933, os capitães da indústria estadunidense arriscaram um golpe de Estado contra Roosevelt. A idéia era colocar no poder uma junta formada pelos barões das grandes corporações (Irénée Du Pont era o cérebro da coisa), aplicar nos EUA as lições de Mussolini e reverter as políticas sociais de FDR. Pelo plano dos golpistas, o presidente seria tocado de Washington por bem ou por mal: se não aceitos os polidos pedidos dos industriais para que cedesse o lugar, Roosevelt veria 500.000 (era o que diziam) soldados marcharem à capital -- gente suficiente para convencer qualquer um a pensar duas vezes.

O plano quase deu certo.

O homem escolhido para colocar a soldadesca no colete dos barões foi o general Smedley Butler, herói de guerra idolatrado pelas tropas. Mas Butler era um sujeito bacana, zeloso das instituições republicanas, autor de "War is a Racket", manifesto classe contra o complexo indústrial-militar. Então ele fingiu interesse na proposta dos industriais, colheu provas de suas intenções golpistas, e denunciou todo mundo no Congresso.

É lógico que o poder econômico e midiático dos grupos envolvidos no golpe deu um jeito de varrer para baixo do tapete a história toda, transformando-a em pouco mais que uma nota de rodapé bizarra.

Bill Gates, porém, parece ter pego o espírito da coisa.

Em fevereiro, entusiasmado com o poder do mercado chinês, ele não segurou a onda ao saudar como "formidável" o suposto "novo tipo de capitalismo" arquitetado em Pequim. Certo, eles têm um mercado gigantesco, e parecem animados com a idéia de fazer dinheiro, e, se eu fosse um empresário/gênio-do-mal ridiculamente rico como Gates, também estaria esfregando as mãos. A fórmula toda, porém, anda junto a um estrito controle das liberdades civis, e a outro bom tanto de penduricalhos totalitários. Pode não ser exatamente a mesma coisa que o planejado pelo conclave corporativo de 33 -- afinal, Mao não é Mussolini -- mas, para os grupos econômicos, a matriz é mais ou menos a mesma: rígido controle de Estado sobre sociedade, corporações associadas ao aparato governamental, sindicatos sob controle.

Tente abrir um blog na China usando os serviços da Microsoft. Agora, tente postar qualquer coisa sobre o "Dalai Lama". Ou sobre a "independência de Taiwan". Ou sobre o "Tibet", ou "terrorismo", ou "comunismo", ou "demonstrações". Não vai dar certo. Isso porque, para entrar no mercado chinês, a Microsoft aceitou a adoção, por seu serviço de blogs, das normas de censura do regime. Segundo o porta voz da empresa, em matéria do Guardian sobre o assunto, "as restrições (às postagens) são o preço que a companhia teve de pagar para espalhar os benefícios positivos dos blogs e das mensagens online". Então tá.

O historiador Howard Zinn disse uma vez que os melhores amigos das corporações são os regimes totalitários.

Pelo visto, Gates sabe disso muito bem.

quarta-feira, junho 01, 2005

exército da salvação

Eu leio as avaliações internas do Banco Mundial para livrar outras pessoas desse tipo de coisa. O resultado, aqui.

Também ajudo velhinhas a atravessar e rua, e dôo agasalhos, e reciclo.

segunda-feira, maio 23, 2005

el mundo a mis piés

Do blog do Observer. Em sétimo. Nada mau.