aspirina e zyklon b
Certo, bater em companhias farmacêuticas é um grande clichê. Mas elas também não ajudam.
Em outubro, o PNUMA (Programa da ONU para o Meio Ambiente) bancou um encontro de jovens em Bangalore, na India. A idéia era juntar gente de 15 a 25 anos, jovens lideranças empenhadas no debate de problemas e perspectivas sobre o futuro da Mãe Terra, essas coisas.
Esse tipo de evento custa dinheiro. MUITO dinheiro.
E sabe quem tem um monte de dinheiro? A Bayer.
Então a Bayer ofereceu-se à ONU como financiadora do encontro de Bangalore. E a ONU aceitou.
Tudo bem, a Bayer é a mãe da aspirina – e eu sou bastante grato aos alemães por isso, sim senhor. Mas, apesar de seus esforços pelo fim da ressaca, a farmacêutica tem uns grandes e feios esqueletos no armário. E isso vem de um longo, longo tempo.
No Terceiro Reich, usaram prisioneiros de campos de concentração em suas fábricas e produziram Zyklon B (gás usado no genocídio nazista).
Logo após o Terceiro Reich, tiveram executivos condenados no tribunal de Haia por crimes de guerra.
Um tanto após o Terceiro Reich, a mesma vocação: boicote ao protocolo de Quioto, uso de jovens desempregados como cobaias humanas, produção de boa parte dos venenos disponíveis no mercado. Inseticidas, plasticidas, fosfogênios, bisfenol – você dá o nome, eles fazem.
Além disso, têm em sua carteira de produtos não poucos medicamentos retirados do mercado por completamente inúteis ou nocivos à saúde.
E a lista continua, e continua.
Que raios, então, faz a Bayer patrocinando o PNUMA?
Greenwash* é o que a Bayer faz. E greenwash é o que o PNUMA, de pires na mão, parece não ver muito problema em oferecer.
A experiência lembra que conglomerados econômicos pouco se importam com deliberações de organismos multilaterais e orientações provenientes de pesquisas científicas -- mesmo quando feitos com seu dinheiro. O importante, no caso, é vender uma imagem bacana ao público. Qualquer coisa que esconda as calamidades ambientais/econômico/sociais amontoadas em seu rastro.
Lembre-se disso quando tomar aquela aspirina amiga.
...
*Greenwash: o que grandes corporações fazem para limpar a barra depois de malfeitorias ambientais. Se você parecer bonzinho o suficiente, as pessoas podem simplesmente não acreditar nas atrocidades em que se mete.
Em outubro, o PNUMA (Programa da ONU para o Meio Ambiente) bancou um encontro de jovens em Bangalore, na India. A idéia era juntar gente de 15 a 25 anos, jovens lideranças empenhadas no debate de problemas e perspectivas sobre o futuro da Mãe Terra, essas coisas.
Esse tipo de evento custa dinheiro. MUITO dinheiro.
E sabe quem tem um monte de dinheiro? A Bayer.
Então a Bayer ofereceu-se à ONU como financiadora do encontro de Bangalore. E a ONU aceitou.
Tudo bem, a Bayer é a mãe da aspirina – e eu sou bastante grato aos alemães por isso, sim senhor. Mas, apesar de seus esforços pelo fim da ressaca, a farmacêutica tem uns grandes e feios esqueletos no armário. E isso vem de um longo, longo tempo.
No Terceiro Reich, usaram prisioneiros de campos de concentração em suas fábricas e produziram Zyklon B (gás usado no genocídio nazista).
Logo após o Terceiro Reich, tiveram executivos condenados no tribunal de Haia por crimes de guerra.
Um tanto após o Terceiro Reich, a mesma vocação: boicote ao protocolo de Quioto, uso de jovens desempregados como cobaias humanas, produção de boa parte dos venenos disponíveis no mercado. Inseticidas, plasticidas, fosfogênios, bisfenol – você dá o nome, eles fazem.
Além disso, têm em sua carteira de produtos não poucos medicamentos retirados do mercado por completamente inúteis ou nocivos à saúde.
E a lista continua, e continua.
Que raios, então, faz a Bayer patrocinando o PNUMA?
Greenwash* é o que a Bayer faz. E greenwash é o que o PNUMA, de pires na mão, parece não ver muito problema em oferecer.
A experiência lembra que conglomerados econômicos pouco se importam com deliberações de organismos multilaterais e orientações provenientes de pesquisas científicas -- mesmo quando feitos com seu dinheiro. O importante, no caso, é vender uma imagem bacana ao público. Qualquer coisa que esconda as calamidades ambientais/econômico/sociais amontoadas em seu rastro.
Lembre-se disso quando tomar aquela aspirina amiga.
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*Greenwash: o que grandes corporações fazem para limpar a barra depois de malfeitorias ambientais. Se você parecer bonzinho o suficiente, as pessoas podem simplesmente não acreditar nas atrocidades em que se mete.

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