quarta-feira, junho 22, 2005

vê se não gasta tudo em cachaça

Perto de 60% de todo o dinheiro dado pelos países ricos à parte pobre do planeta é de mentirinha. Sério.

A equação do Demo é mais ou menos explicada aqui.

quarta-feira, junho 15, 2005

mr. Gates alisa seu gato angorá

O lado B da recente história americana reza que, pelos idos de 1933, os capitães da indústria estadunidense arriscaram um golpe de Estado contra Roosevelt. A idéia era colocar no poder uma junta formada pelos barões das grandes corporações (Irénée Du Pont era o cérebro da coisa), aplicar nos EUA as lições de Mussolini e reverter as políticas sociais de FDR. Pelo plano dos golpistas, o presidente seria tocado de Washington por bem ou por mal: se não aceitos os polidos pedidos dos industriais para que cedesse o lugar, Roosevelt veria 500.000 (era o que diziam) soldados marcharem à capital -- gente suficiente para convencer qualquer um a pensar duas vezes.

O plano quase deu certo.

O homem escolhido para colocar a soldadesca no colete dos barões foi o general Smedley Butler, herói de guerra idolatrado pelas tropas. Mas Butler era um sujeito bacana, zeloso das instituições republicanas, autor de "War is a Racket", manifesto classe contra o complexo indústrial-militar. Então ele fingiu interesse na proposta dos industriais, colheu provas de suas intenções golpistas, e denunciou todo mundo no Congresso.

É lógico que o poder econômico e midiático dos grupos envolvidos no golpe deu um jeito de varrer para baixo do tapete a história toda, transformando-a em pouco mais que uma nota de rodapé bizarra.

Bill Gates, porém, parece ter pego o espírito da coisa.

Em fevereiro, entusiasmado com o poder do mercado chinês, ele não segurou a onda ao saudar como "formidável" o suposto "novo tipo de capitalismo" arquitetado em Pequim. Certo, eles têm um mercado gigantesco, e parecem animados com a idéia de fazer dinheiro, e, se eu fosse um empresário/gênio-do-mal ridiculamente rico como Gates, também estaria esfregando as mãos. A fórmula toda, porém, anda junto a um estrito controle das liberdades civis, e a outro bom tanto de penduricalhos totalitários. Pode não ser exatamente a mesma coisa que o planejado pelo conclave corporativo de 33 -- afinal, Mao não é Mussolini -- mas, para os grupos econômicos, a matriz é mais ou menos a mesma: rígido controle de Estado sobre sociedade, corporações associadas ao aparato governamental, sindicatos sob controle.

Tente abrir um blog na China usando os serviços da Microsoft. Agora, tente postar qualquer coisa sobre o "Dalai Lama". Ou sobre a "independência de Taiwan". Ou sobre o "Tibet", ou "terrorismo", ou "comunismo", ou "demonstrações". Não vai dar certo. Isso porque, para entrar no mercado chinês, a Microsoft aceitou a adoção, por seu serviço de blogs, das normas de censura do regime. Segundo o porta voz da empresa, em matéria do Guardian sobre o assunto, "as restrições (às postagens) são o preço que a companhia teve de pagar para espalhar os benefícios positivos dos blogs e das mensagens online". Então tá.

O historiador Howard Zinn disse uma vez que os melhores amigos das corporações são os regimes totalitários.

Pelo visto, Gates sabe disso muito bem.

quarta-feira, junho 01, 2005

exército da salvação

Eu leio as avaliações internas do Banco Mundial para livrar outras pessoas desse tipo de coisa. O resultado, aqui.

Também ajudo velhinhas a atravessar e rua, e dôo agasalhos, e reciclo.